Pão Sourdough 100% farinha integral Fazenda Vargem

Tenho feito muitos pães. Com sova, sem sova. Diferentes combinações de farinhas e métodos. Cada teste é importante para entender bem a qualidade e o resultado obtido de cada farinha e também aprofundar aquilo que já sei (a gente nunca sabe tudo) das engrenagens da fermentação natural. É mágico, mas também é técnica, respeito às etapas e, claro, muita observação.

A farinha integral Fazenda Vargem me impressionou desde o início. Quando fiz o primeiro pão com ela, tive a certeza de que era aquela farinha que me daria os melhores pães integrais. Os mais saborosos e mais macios também. Sempre acreditei que pão integral era sinônimo de pão mais seco, mais duro, mais sem graça. Essa farinha me provou o contrário. AInda bem! O cuidado que os produtores têm com os grãos, o aproveitamento que fazem de todo trigo, o processo de moagem na pedra… tudo se traduz numa farinha muito fina, saborosa e que aguenta água que é uma beleza. Esqueça aquelas farinhas cheias de farelo que dizem que é integral. Essa é outra coisa. Produto nacional de qualidade, feito em Goiás.

Essa receita já fiz metade integral, metade farinha branca. Mas vou confessar: a versão 100% integral conquistou meu paladar. Aqui em casa não pode faltar. Puro ou recheado com nozes, amêndoas, macadâmias… cobertos por sementes como gergelim preto… Cada combinação deixa o pão ainda mais gostoso. Te convido a experimentar.

Infelizmente essa farinha não está disponível em todos os mercados e cidades. Seu alcance ainda é pequeno. Digo “ainda” pois sinceramente espero que eles conquistem mais espaço e mais gente possa entender melhor o que estou falando.

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Se você é da cidade de São Paulo e quer provar a farinha integral Fazenda Vargem, deixe seu comentário. Tenho sempre algumas unidades à pronta-entrega para dividir com quem quer experimentar essa farinha.

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Vamos à receita?

Receita de Pão Sourdough 100% integral com farinha Fazenda Vargem

INGREDIENTES

  • Farinha de trigo integral Fazenda Vargem: 500g (100%)
    Se você usar outra farinha, reduza para 65 ou 70% a hidratação.
  • Água: 413g (85% de hidratação, já descontando a água que já está no fermento)
  • Levain: 150g (30%)
  • Sal: 12g
  • Mel: 20g

PREPARO DA MASSA

Passo 1 – Autólise
Autólise é o método desenvolvido por Raymond Calvel, em 1974, em que água e farinha são misturadas e colocadas para repousar, iniciando o desenvolvimento da rede de glúten. Você pode fazer a autólise apenas com farinha e água ou, dependendo do tempo que tem disponível, fazer já com o levain. Aqui vou contar o processo em que incluí o fermento na autólise. Nesse caso, pra sua massa não virar um grande fermento, deixe descansar até 40 minutos.

Dilua o levain na água o máximo que conseguir (não tem problema se alguns pedacinhos não se dissolverem totalmente). Numa tijela grande com a farinha, adicione a água com fermento, mexendo bem com a colher. Finalize a mistura da massa com as mãos para garantir que os ingredientes secos fiquem bem hidratados. Sem deixar aqueles grumos secos que podem prejudicar a elasticidade da massa durante a fermentação. Deixe a massa descansar por 40 minutos, em temperatura ambiente, de 20 a 25 graus, coberta por filme plástico, pano de prato ou touca plástica (que você vai usar apenas na cozinha, claro!). Se o dia estiver quente, deixe na geladeira. A massa não deve esquentar muito para não acelerar o processo nesta fase de primeira fermentação.

Passo 2 – Dobras
Após os 40 minutos de descanso, em que a rede de glúten da massa já começou a se desenvolver, inclua o sal e comece a fazer dobras na massa, puxando da borda para o centro, para que o sal seja bem incorporado. Não costumo sovar, mas se quiser fazer alguma pressão na massa, dentro da tijela, vai fundo. Sem problemas. Quando não sentir mais o sal (que parece areia), junte o mel. Aí fica mais gostoso ainda trabalhar a massa, que fica mais macia e mais perfumada. O mel dá um sabor super especial ao pão e acho que combina muito com a farinha integral.
Quando o mel estiver bem incorporado, começaremos a fazer dobras na massa, de meia e meia hora, por 2 horas (total de 4 dobras). Essa etapa é importante no processo de fermentação pois, quando esticamos e dobramos a massa, estamos trabalhando a cadeia de glúten. Fortalecendo a estrutura da massa.

Na tijela, pegue um lado da massa, estique e dobre puxando para o centro dela. Repita esse processo de puxar-esticar-dobrar ao redor de toda massa. Deixe descansar por 30 minutos e volte a repetir o mesmo movimento, mais 3 vezes, com intervalos de 30 minutos. Depois da última dobra, deixe descansar por mais 30 minutos.
Se o dia estiver quente, costumo fazer o descanso entre as dobras na geladeira. Faça testes para ver qual resultado é o melhor pra você.

Passo 3 – Pre-shape ou pré-moldagem
Depois das dobras e descansos, é hora de fazer uma pré-modelagem no pão, para que a massa se “acostume” à estrutura em que fermentará. Eu costumo bolear a massa, cobrindo-a com as duas mãos e fazendo leve pressão para que a massa ganhe resistência. Aqui estamos basicamente fazendo uma bolota com a massa, para ela descansar mais meia hora antes do shape final. Deixe descansar por mais 30 minutos.

Passo 4 – Shape ou moldagem final
Já decidiu qual formato quer fazer nesse pão? Redondo, retangular… são muitas as opções e jeitos de fazer. Abra a massa delicadamente sobre a bancada de trabalho. Em alguns casos costumo rechear com nozes, amêndoas e macadâmias. 150g de mix de nozes farão aquele sucesso no seu recheio. Mas é opcional.
Comece a puxar as laterais da massa e dobrar sobre ela mesma. Comece pela parte de baixo, puxando e esticando até o centro. Depois, puxe um pouco da massa nas laterais esquerda e direita e cruze a massa até alcançar o outro ponto. Algo parecido com “trocar fraldas” (rsss). Pegue a parte de cima, puxe e estique até alcançar a ponta de baixo. Depois, comece a puxar um pouco da massa de cada lado, cruzando e “colando” com a ponta do do outro lado, como se estivesse costurando. Vá enrolando a massa sobre ela mesma, deixando a parte da costura para baixo, em contato com a bancada, para selar.
Ao finalizar a moldagem, coloque a massa com a costura para cima, num banetton (ou qualquer cesto forrado com guardanapo) polvilhado com farinha de arroz. Você pode usar um escorredor de macarrão, bowl de vidro ou alumínio, cesto de vime… vale tudo! Banneton, com fibra natural de rattan, faz bastante diferença na fermentação por controlar excesso de umidade da massa, mas você pode fazer pães sem ele também).

Deixe a massa descansar por 1 hora em temperatura ambiente. Se estiver muito quente, observe a massa e deixe menos tempo.

Passo 5 – Segunda fermentação
Leve a massa para segunda fermentação na geladeira, coberto por um saco plástico limpo ou a mesma touca plástica que usou no primeiro passo. Escolha a parte menos fria da geladeira (talvez a gaveta de legumes e verduras) e deixe descansar por 12 a 24 horas.

Passo 6 – Assar
O pão deve crescer um pouco durante a segunda fermentação, mas não deixe dobrar de tamanho. Se sua geladeira estava muito fria, o processo de fermentação pode ter parado e sua massa não deve ter crescido. Neste caso, deixa algumas horas em temperatura ambiente, para que a massa cresça um pouco. Mas atenção: o pão deve ter fôlego para crescer no forno, o que chamamos de “salto de forno”. Não deixe fermentar além da conta. Observe sempre. Não tem tempo exato…

Pré-aqueça o forno em 250 graus por 30 minutos e coloque a panela com tampa para esquentar. Use um timer (tem no seu celular!) para não perder a hora.

Enquanto a panela aquece, tire a massa da geladeira, coloque sobre um papel antiaderente (eu uso Papel Dover, melhor que papel-manteiga), espalhe um pouco de farinha de arroz sobre ela e faça o corte e a decoração que desejar. O corte, além de deixa o pão mais bonito, abre caminho para que o gás escape de dentro da massa durante o “salto de forno”, quando ele cresce e cria aquela pestana linda no pão. Se você não riscar o caminho, o pão encontrará um jeito, mas nem sempre ficará bonito como quando você dá “aquela ajudinha” com a lâmina de barbear a massa, nessa etapa.

Passado os 30 minutos, tire a panela do forno. Tire a tampa, coloque o pão na panela, tampe novamente, com muito cuidado para não se queimar. Lembre-se, está MUITO quente. Você pode/deve borrifar água na tampa quente, logo antes de fechar a panela, para formar mais vapor que ajudará a manter a casca úmida enquanto o pão assa bem, de dentro pra fora. O vapor de água deve ser direcionado à tampa, não ao pão.

Coloque a panela tampada no forno e deixe assar por 35 minutos a 250 graus. Lembre-se de usar o timer, uma santa ajuda. Passado esse tempo, tire a tampa e veja como ficou seu pão. Sucesso! Esse momento é dos mais marcantes, sempre que faço pão. Às vezes acho que não vai ser nada demais, que algo vai dar errado, e o pão está lá, esperando pra me surpreender. É mágico. É tenso, mas é mágico.

Reduza a 220 graus e deixe assar por mais 25 minutos, sem a tampa. Isso ajudará a deixar o miolo mais seco, reduzindo o excesso de umidade da massa. Passado esse tempo, se achar que ainda precisa de um pouco mais de cor, deixe mais alguns minutos, acompanhando sempre pra não passar do (seu) ponto. Acenda o queimador superior (se o seu forno tiver) para ajudar a deixá-lo mais corado. O tempo de cocção do pão pode variar de forno para forno. Fique de olho, sempre!

Passo 7 – Esperar
Depois de assado, tire o pão da panela e deixe esfriar totalmente sobre uma grelha (pode ser na grelha do fogão), deixando o ar passar por cima e por baixo do pão, para que a casca de baixo não fique úmida demais por conta do calor. Esse tempo é importante para que o pão termine a cocção, mesmo fora do forno. No mínimo 2 horas. Sim, o resultado compensa. Aguente firme!

RESUMO DA ÓPERA

  • Autólise com água, fermento e farinha por 40 minutos
  • Inclusão do sal e mel
  • Dobras a cada meia hora, por 2 horas
  • Descanso de 30 minutos
  • Pré-moldagem
  • Descanso de 30 minutos
  • Moldagem final
  • Descanso de 1 hora (em temperatura ambiente)
  • Segunda fermentação na geladeira, de 12 a 24 horas
  • Pré-aquecer forno e panela com tampa por 30 minutos a 250 graus
  • Assar a 250 graus por 35 minutos
  • Tirar a tampa e continuar a assar a 220 graus por 25 minutos
  • Finalizar acendendo o queimador superior alguns minutos a mais para dourar
  • Esperar esfriar 2 horas
  • Comer!

Seja feliz, faça pão!

 

Receita de Pão de Cacau com chocolate meio amargo

Desde que comecei a fazer pães, principalmente os de fermentação natural, sempre tive vontade de experimentar novas receitas e diferentes sabores. Dessa vez, depois de passar um mês inteiro dedicado aos panetones e chocotones, tive vontade de fazer um Pão Sourdough de Cacau. Sempre tive curiosidade de saber como seria o sabor final do azedinho do pão com o meio amargo do chocolate. Teste feito, posso garantir: o resultado é surpreendente.

Pesquisei diversas receitas na internet, muitas delas bem parecidas, mas como sou abusado, resolvi fazer uma livre adaptação das receitas da Aline Galle, que ela generosamente compartilha com os participantes do grupo Levain, no Facebook, e da receita do Amo Pão Caseiro, curso de panificação online.

Aqui vai a minha versão:

Receita de Pão com cacau e chocolate meio amargo

INGREDIENTES

  • 400g de farinha de trigo branca (nesta receita eu usei a farinha tipo 00 Lievitati, da Le Sinfonie)
  • 280g de água gelada (acrescente a águia aos poucos, começando com 250g e vá acrescentando o restante durante a sova, se sua farinha aguentar essa porcentagem de hidratação).
  • 30g de cacau em pó 100% (eu usei 50%, opção que eu tinha em casa)
  • 120g de levain (já refrescado e forte!)
  • 8g de sal
  • 20g de açúcar mascavo
  • 1 colher (de sopa) de mel
  • 150g de gotas de chocolate meio-amargo

PREPARO DA MASSA

Passo 1 – Autólise
Autólise é o método desenvolvido por Raymond Calvel, em 1974, em que água e farinha são misturadas e colocadas para repousar, iniciando o desenvolvimento da rede de glúten.
Numa tigela, misture bem a farinha de trigo branca (de preferência uma farinha forte), o cacau em pó, o acúcar mascavo (diluído) e parte da água gelada (use 250g e reserve 30g de água para a segunda hidratação da massa, durante a sova. Use esse restinho de água apenas se perceber que sua farinha aguentará absorver mais água). Deixe a massa descansar por 1h30 na geladeira, na tigela coberta com filme plástico. Se preferir, coloque a massa dentro de um saquinho plástico descartável. A massa deve estar fria para evitar que esquente demais durante a sova na batedeira.

Passo 2 – Sovar
Depois do descanso, você perceberá que a massa está mais elástica, graças à ação do glúten que começou a se desenvolver. Chegou a hora de colocar a mão na massa. Essa etapa pode ser feita de duas formas: à mão ou com a santa ajuda de uma batedeira planetária com gancho. Dos dois jeitos dará certo, variando apenas o tempo.

Se escolher sovar à mão, não se preocupe em usar muita força. Existem algumas técnicas, como a “slap and fold”, que não exigem tanto músculo, apenas jeito e prática. Seus braços vão agradecer.

Acrescente o levain à massa, misture bem com as mãos e comece a bater a massa sobre a superfície em que está trabalhando e a dobrá-la sobre ela mesma, repetidas vezes, por 5 minutos. Comece a sentir sua massa, se está muito mole, talvez não precise acrescentar os restante da água gelada que você deixou reservada. Use apenas se sua farinha for forte ou se sua massa ainda estiver muito grudenta. Acrescente o mel. Sove por mais 5 minutos e então acrescente o sal. Misture bem a massa e sove até completar 15 minutos. A massa ficará mais lisa e acetinada à medida que for se aproximando do “ponto de véu”.

Se escolheu sovar com a ajuda da batedeira planetária, acrescente o levain e comece a incorporá-lo à massa na velocidade 2 (ou se sua batedeira aguentar o tranco, na velocidade 1) por 3 minutos. Acrescente a água, sove por mais 3 minutos na velocidade 2, tomando cuidado para não espirrar toda água pra fora da tigela. Acrescente o mel, bata um pouco mais para incorporá-lo à massa e, então, acrescente o sal, batendo por mais alguns minutos, começando pela velocidade 3 até finalizar com a velocidade 4. Você deve começar a ouvir um barulho de “pneu furado” nos minutos finais, enquanto a massa bate nas laterais da tigela. Isso é um ótimo sinal! A massa começa a “encordar” no gancho e a desgrudar-se totalmente das laterais da tigela da sua planetária.

O tempo total de sova pode variar de 10 a 15 minutos. Esse tempo muda de acordo com a temperatura do ambiente, quantidade de água e qualidade da farinha. Você deve perceber que a massa atingiu um “ponto de véu” (quando você começa a esticar a massa com as mãos, ela não se rasga).

Depois de sovar, deixe a massa descansar na tigela, coberta por um pano úmido ou filme plástico para não ressecar, por 2 horas. Sim, esse tempo é importante para primeira fermentação em temperatura ambiente. É dentro dessas 2 horas que faremos as dobras na massa.

Ah, se você já experimentou os pães sem sova e gostou do resultado, pode experimentar nessa versão com chocolate. Misture todos os ingredientes da receita na autólise e, ao invés de sovar, passe para as dobras.

Passo 3 – Dobras e primeira fermentação
Após os primeiros 30 minutos de descanso começaremos a fazer dobras na massa, de meia e meia hora, por 2 horas (total de 4 dobras). Essa etapa é importante no processo de fermentação pois, quando esticamos e dobramos a massa, estamos trabalhando e fortalecendo o glúten.

Na tigela (você também pode usar uma caixa de plástico), pegue um lado da massa, estique e dobre sobre ela mesma, até alcançar o outro lado. Repita isso nos 3 outros lados. Deixe descansar por 30 minutos e volte a repetir o mesmo movimento, mais 3 vezes, com intervalos de 30 minutos. Depois da última dobra, deixe descansar por mais 30 minutos.

Acrescente as gotas de chocolate meio amargo durante as dobras, para distribuir melhor o ingrediente pela massa.

Se o dia estiver quente, costumo fazer a descanso entre as dobras na geladeira. A melhor temperatura para a massa é entre 25 e 28 graus. Mas você só conseguirá medir isso com um termômetro de cozinha. Faça testes para ver qual resultado é o melhor pra você.

Passo 4 – Pre-shape ou pré-moldagem
Meia hora depois da última dobra, nessa etapa sua massa começa a se preparar para o formato final em que fará a segunda fermentação, antes de ir pra panela. Abra a massa delicadamente com as mãos e puxe as laterais para o centro, unindo e apertando as pontas. Vire o lado da “costura” para baixo, boleie a massa para deixá-la mais redonda e deixe descansar por mais 30 minutos, coberta pelo bowl.

Passo 5 – Shape ou moldagem final
Já decidiu qual formato quer fazer nesse pão? Redondo, retangular… são muitas as opções e jeitos de fazer. Abra a massa delicadamente sobre a bancada de trabalho e comece a puxar as laterais da massa e dobrar sobre ela mesma. Comece pela parte de baixo, puxando e esticando até o centro. Depois, puxe um pouco da massa nas laterais esquerda e direita e cruze a massa até alcançar o outro ponto. Pegue a parte de cima, puxe e estique até alcançar a ponta de baixo. Depois, comece a puxar um pouco da massa de cada lado, cruzando e “colando” com a ponta do do outro lado, como se estivesse costurando. Vá enrolando a massa sobre ela mesma, deixando a parte da costura para baixo, em contato com a bancada, para selar. Ao finalizar a moldagem, coloque a massa com a costura para cima num banetton ou qualquer cesto forrado com guardanapo e polvilhado com farinha de arroz. Você pode usar um escorredor de macarrão, bowl de vidro ou alumínio, cesto de vime… vale tudo!).

Passo 6 – Segunda fermentação
Deixe a massa descansar para segunda fermentação. Em temperatura ambiente, deixe descansar de 3 a 4 horas, até crescer. Na geladeira, para fermentação mais lenta, guarde o cesto dentro de um saco plástico fechado (para não ressecar) e deixe a massa na parte menos fria da geladeira de 12 a 24 horas.

Passo 7 – Assar
O pão deve crescer um pouco durante a segunda fermentação, mas ainda deverá ter fôlego para crescer no forno, o que chamamos de “salto de forno”. Se achar que depois das 12 ou 24hs na geladeira sua massa não cresceu nada, deixe um tempo em temperatura ambiente para que a massa se desenvolva um pouco antes de ir pro forno.

Pré-aqueça o forno em 250 graus por 30 minutos e coloque a panela com tampa para esquentar. Use um timer (tem no seu celular!) para não perder a hora.

Enquanto a panela aquece, tire a massa da geladeira, passe um pouco de farinha de trigo sobre ela e faça o corte e a decoração que desejar. Essa é uma das partes mais divertidas do processo. Se achar que sua massa está muito molenga, deixe um tempo no freezer para firmar-se mais enquanto o forno pré-aquece.

Passado os 30 minutos, tire a panela do forno, polvilhe farinha de arroz ou use papel Dover para o pão não grudar (é muito melhor que papel manteiga!).

Coloque o pão na panela, tampe, mas cuidado para não se queimar. Lembre-se, está MUITO quente. Você pode borrifar água na tampa quente, logo antes de fechar a panela, para formar o vapor que ajudará a manter a casca úmida enquanto o pão assa bem, de dentro pra fora.

Coloque a panela tampada no forno e deixe assar por 30 minutos a 250 graus. Lembre-se de usar o timer, uma santa ajuda. Depois, tire a tampa e veja como ficou seu pão.

Reduza a 220 graus e deixe assar por mais 20 minutos, sem a tampa. Reduza a 180 e deixe assar por mais 10 minutos, para deixar o miolo mais seco, reduzindo o excesso de umidade da massa. Nos minutos finais, acenda o queimador superior (se seu forno tiver) para ajudar a deixá-lo mais corado sem queimar a parte de baixo.

O tempo de cocção do pão pode variar de forno para forno. Fique de olho, sempre!

Passo 8 – Esperar
Depois de assado, tire o pão da panela e deixe esfriar totalmente sobre uma grelha (pode ser na grelha do fogão), deixando o ar passar por cima e por baixo do pão, para que a casca de baixo não fique úmida demais por conta do calor. Esse tempo é importante para que o pão termine a cocção, mesmo fora do forno, liberando gazes e consolidando textura, aroma e sabor.

Quando o pão esiver frio, abra e descubra a maravilha que fica essa combinação de sabores.

Seja feliz, faça pão!

Como desidratar o levain para conservar seu fermento natural

Quem cuida de um fermento natural em casa sabe como é comum ter dúvidas do que fazer com o levain quando você precisa passar um longo período sem refrescá-lo. O que fazer com aquelas leveduras abençoadas, responsáveis por tão belas fornadas, que o acompanham há tanto tempo?

Descartar e recomeçar tudo do zero nunca foi uma opção, pelo menos para mim. Gosto da ideia “romântica” que se tem da continuidade do fermento ao longo do tempo, passando por décadas, de geração em geração. Digo “romântica”, na verdade, pois essa é uma versão lúdica da história diferente que a ciência (e a natureza, claro) nos conta. A colônia de micro-organismos renova-se de tempos em tempos, estabalecendo relação direta com seu tempo e também com as condições locais em que é conservado. Dessa forma, meu levain Juma Marruá, que começou a ser produzido em 31 de março de 2018, hoje guarda apenas a “memória afetiva” dos primeiros fungos e bactérias que desbravaram aquela primeira mistura de farinha de trigo e água.

Volto à questão central: o que fazer com meu fermento se não poderei refrescá-lo para mantê-lo forte e ativo?

Pesquisei com colegas, livros e sites (sem falar nos perfis de Instagram e grupos de discussão do Facebook, claro!). As possibilidades eram muitas, passando por congelar o levain, ou mantê-lo na geladeira na área mais fria, para que as leveduras entrassem num processo de hibernação… até desidratá-lo. Dos testes que fiz, este último me pareceu o mais eficiente, preservando as leveduras que fazem de Juma Marruá uma verdadeira onça pintada da fermentação natural, cheia de bolhas, selvagem como só ela.

Mas, então… como desidratar o levain?

O processo é bastante simples. Eu utilizei uma base de plástico (no meu caso, um belíssimo jogo americano assinado pelo estilista Ronaldo Fraga), espátula e o fermento bem ativo.

Espalhe o fermento ativo sobre a superfície plástica, deixando uma camada mais fina.

Assim!

Deixe o fermento descansar em ambiente seco e aberto por pelo menos 3 dias. Ele começará a ressecar, craquelar e soltar-se do plástico. Como o jogo americano que usei é feito com um plastico mais maleável, no segundo dia começou a se deformar, parecendo se contorcer à media que o fermento se desidratava. Não se preocupe, ele volta ao normal depois de tirar o fermento seco.

Quando conseguir tirar as cascas de fermento do plástico com facilidade, perceberá que ele está seco e pronto.

Guarde o fermento desidratado num recipiente limpo e seco, em ambiente sem muita umidade. Se preferir, passe o fermento pelo multi-processador, mixer ou liquidificador para reduzi-lo a pó (ou farelo). Acho mais prático de guardar e reativar, quando necessário.

Simples, né?

Além de manter meu fermento por longo período sem refrescar, desidratar o levain também foi a melhor opção que encontrei para poder enviar iscas de Juma Marruá para outra casas, em diversas cidades e estados do país. É dela, também, a missão de contagiar e atrair mais gente para o universo mágico dos pães de fermentação natural. E ela, guerreira, tem conquistado bons resultados. Se você quer uma isca do meu levain Juma Marruá em sua casa, deixe seu comentário.

Agora você quer saber como reativar o levain desidratado? Vem comigo:

Como reativar o levain desidratado

Coloque 50g do fermento desidratado num recipiente. Adicione 50g de água levemente morna. Misture bem até dissolver bem o fermento. Se puder, use um multiprocessador, mixer ou liquidificador para diluir melhor o fermento e incorporar ainda mais ar na sua mistura. As leveduras agradecem!

Quando estiver bem dissolvido, adicione 50g de farinha de trigo branca. Mexa bem até formar uma massa homogênea. Transfira a massa para um pote de plástico ou de vidro, como preferir, e tampe com filme-plástico.

Faça uma marcação no pote para indicar a altura do fermento e comparar quando ele começar a crescer. Depois de algumas horas seu fermento começará a fermentar e crescer. Quando dobrar de tamanho, repita o
processo. Pegue 50g do fermento do pote (o restante você pode descartar ou colocar num outro pote e fazer o mesmo processo). Misture com 50g de água levemente morna e adicione 50g de farinha de trigo branca.

Depois que seu fermento dobrar de tamanho novamente, ele estará pronto para transformar-se em belos pães de fermentação natural. Aqui no site do Pão na Panela você encontra receitas incríveis, explicadas passo a passo, para fazer pães de fermentação natural.

Seja feliz, faça pão!

 

Pão sem sova de fermentação natural (no-knead bread)

O primeiro pão que eu fiz, com fermento biológico seco, foi seguindo uma receita de “Pão italiano” que vi no programa Cozinha Prática, da Rita Lobo, no GNT. Bastava misturar os ingredientes na medida certa e esperar a mágica acontecer. Eu não sabia, mas naquele momento eu tinha sido apresentado pela primeira vez ao método “No-knead bread” (em português, “Pão sem sova”), que usa outros processos para formar a cadeia de glúten, responsável pela textura do pão.

Quando fiz meu primeiro levain e comecei a produzir pães de fermentação longa e natural, testei diversos tipos de sova. Usei a batedeira planetária, sovei com as mãos… até que vi os pães maravilhosos que a Cristina Valeije faz, sem sova, apenas com dobras. Resolvi testar e achei o resultado maravilhoso: um pão lindo, de casca bem crocante, miolo muito macio, cheio de alvéolos. Impossível resistir, além de ser bem mais prático e poupar um pouco os braços. Cada técnica tem sua vantagem. O importante é descobrir o método que é melhor para você, para seu paladar.

Quer experimentar a receita? Fiz algumas experiências mexendo nas proporções e aqui vai a combinação em que consegui o melhor resultado (para meu paladar!):

Receita de Pão de fermentação natural sem sova
Adaptação de receita da Cristina Valeije, de “A Cozinha da Vovó”

INGREDIENTES

  • Farinha de trigo: 500g (100%)
  • Água: 350g (70% de hidratação)
  • Levain: 175g (35%)
  • Sal: 12g
  • Açúcar: 5g

PREPARO DA MASSA

Passo 1 – Autólise
Autólise é o método desenvolvido por Raymond Calvel, em 1974, em que água e farinha são misturadas e colocadas para repousar, iniciando o desenvolvimento da rede de glúten. Você pode fazer a autólise apenas com farinha e água ou, dependendo do tempo que tem disponível, fazer já com o levain. Aqui vou contar o processo em que incluí o fermento na autólise. Nesse caso, pra sua massa não virar um grande fermento, deixe descansar até 40 minutos.
Dilua o levain na água o máximo que conseguir (não tem problema se alguns pedacinhos não se dissolverem totalmente). Numa tijela grande, misture a farinha, o sal e o açúcar e adicione a água com fermento, mexendo bem com a colher. Finalize a mistura da massa com as mãos para garantir que os ingredientes secos fiquem bem hidratados. Deixe a massa descansar por 40 minutos, em temperatura ambiente, de 20 a 25 graus, coberta por filme plástico, pano de prato ou touca plástica (que você vai usar apenas na cozinha, claro!). Se o dia estiver quente, deixe na geladeira. A massa não deve esquentar muito para não acelerar o processo nesta fase de primeira fermentação.

Passo 2 – Dobras
Após o descanso começaremos a fazer dobras na massa, de meia e meia hora, por 2 horas (total de 4 dobras). Essa etapa é importante no processo de fermentação pois, quando esticamos e dobramos a massa, estamos trabalhando a cadeia de glúten.
Na tijela, pegue um lado da massa, estique e dobre puxando para o centro dela. Repita esse processo de puxar-esticar-dobrar ao redor de toda massa. Deixe descansar por 30 minutos e volte a repetir o mesmo movimento, mais 3 vezes, com intervalos de 30 minutos. Depois da última dobra, deixe descansar por mais 30 minutos.
Se o dia estiver quente, costumo fazer a descanso entre as dobras na geladeira. Faça testes para ver qual resultado é o melhor pra você.

Passo 3 – Pre-shape ou pré-moldagem
Depois das dobras e descansos, é hora de preparar a massa para o formato final em que fará a segunda fermentação, antes de ir pra panela. Abra a massa delicadamente com as mãos e puxe as laterais para o centro, unindo e apertando as pontas. Vire o lado da “costura” para baixo, boleie a massa para deixá-la mais redonda e deixe descansar por mais 30 minutos.

Passo 4 – Shape ou moldagem final
Já decidiu qual formato quer fazer nesse pão? Redondo, retangular… são muitas as opções e jeitos de fazer. Abra a massa delicadamente sobre a bancada de trabalho e comece a puxar as laterais da massa e dobrar sobre ela mesma. Comece pela parte de baixo, puxando e esticando até o centro. Depois, puxe um pouco da massa nas laterais esquerda e direita e cruze a massa até alcançar o outro ponto. Algo parecido com “trocar fraldas” (rsss). Pegue a parte de cima, puxe e estique até alcançar a ponta de baixo. Depois, comece a puxar um pouco da massa de cada lado, cruzando e “colando” com a ponta do do outro lado, como se estivesse costurando. Vá enrolando a massa sobre ela mesma, deixando a parte da costura para baixo, em contato com a bancada, para selar.

Ao finalizar a moldagem, coloque a massa com a costura para cima, num banetton (ou qualquer cesto forrado com guardanapo) polvilhado com farinha de arroz. Você pode usar um escorredor de macarrão, bowl de vidro ou alumínio, cesto de vime… vale tudo!).

Deixe a massa descansar por 1 hora em temperatura ambiente.

Passo 5 – Segunda fermentação
Leve a massa para segunda fermentação na geladeira, coberto por um saco plástico limpo ou a mesma touca plástica que usou no primeiro passo. Escolha a parte menos fria da geladeira (talvez a gaveta de legumes e verduras) e deixe descansar por 12 a 24 horas.

Passo 6 – Assar
O pão deve crescer durante a segunda fermentação, mas não deixe dobrar de tamanho. Mas atenção: o pão deve ter fôlego para crescer no forno, o que chamamos de “salto de forno”. Não deixe fermentar além da conta.

Pré-aqueça o forno em 250 graus por 30 minutos e coloque a panela com tampa para esquentar. Use um timer (tem no seu celular!) para não perder a hora.

Enquanto a panela aquece, tire a massa da geladeira, coloque sobre um papel antiaderente (eu uso Papel Dover, melhor que papel-manteiga), espalhe um pouco de farinha de arroz sobre ela e faça o corte e a decoração que desejar. Essa é uma das partes mais divertidas do processo.

Passado os 30 minutos, tire a panela do forno. Coloque o pão na panela, tampe, mas cuidado para não se queimar. Lembre-se, está MUITO quente. Você pode borrifar água na tampa quente, logo antes de fechar a panela, para formar mais vapor que ajudará a manter a casca úmida enquanto o pão assa bem, de dentro pra fora.

Coloque a panela tampada no forno e deixe assar por 30 minutos a 250 graus. Lembre-se de usar o timer, uma santa ajuda. Depois, tire a tampa e veja como ficou seu pão. Sucesso!

Reduza a 220 graus e deixe assar por mais 20 minutos, sem a tampa. Reduza a 180 e deixe assar por mais 10 minutos, para deixar o miolo mais seco, reduzindo o excesso de umidade da massa. Nos minutos finais, acenda a grelha superior (se o seu forno tiver) para ajudar a deixá-lo mais corado sem queimar a parte de baixo. O tempo de cocção do pão pode variar de forno para forno. Fique de olho, sempre!

Passo 7 – Esperar
Depois de assado, tire o pão da panela e deixe esfriar totalmente sobre uma grelha (pode ser na grelha do fogão), deixando o ar passar por cima e por baixo do pão, para que a casca de baixo não fique úmida demais por conta do calor. Esse tempo é importante para que o pão termine a cocção, mesmo fora do forno.

RESUMO DA ÓPERA

  • Autólise com todos os ingredientes, incluindo o levain, por 40 minutos
  • Dobras a cada meia hora, por 2 horas
  • Pré-moldagem
  • Descanso de 30 minutos
  • Moldagem final
  • Descanso de 1 hora (em temperatura ambiente)
  • Segunda fermentação na geladeira, de 12 a 24 horas
  • Pré-aquecer forno e panela com tampa por 30 minutos a 250 graus
  • Assar a 250 graus por 30 minutos
  • Tirar a tampa e continuar a assar a 220 graus por 20 minutos
  • Finalizar a 180 graus por 10 minutos (ligando grelha superior nos últimos minutos para dourar)
  • Esperar esfriar
  • Comer

 

A Cris Valeije, que me inspirou a fazer pães sem sova, tem um canal no Youtube cheio de vídeos com dicas e receitas. Visite o canal “A Cozinha da Vovó” e inspire-se! Ela também realiza em São Paulo a “Oficina Terapia do Pão”. Siga o perfil dela no Instagram e acompanhe as datas do curso.

 

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Inscrições abertas para a próxima Oficina Terapia do Pão no dia 10 de Novembro 2018! Das 14h às 18h Será uma oficina para você BOTAR A MÃO NA MASSA e fazer o seu próprio pão de fermentação natural, na PANELA , em FORNO DOMÉSTICO, além de aprender a rotina do fermento. Serão bem vindos todos que amam cozinhar, que sonhem, que busquem novos horizontes, que queiram se alimentar melhor e que queiram viver uma experiência única de fazer seu próprio pão rústico! No valor da sua inscrição você GANHA uma isca do meu LEVAIN GIGIO, um Lame artesanal para riscar seu pão em casa uma cestinha de fermentação para levar o pão que você fará na aula , e um DIÁRIO pra começar a escrever a sua própria história com o PÂO… Também faz parte do pacote de benefícios, assessória continua por Whatsapp e conteúdos exclusivos em um grupo fechado do Facebook. Está incluso um lanche da tarde delicioso. Nele vamos degustar os pães que você vai aprender a fazer … Também vai levar um pão feito por você,do zero, para assar na sua casa! E quer saber MAIS… LOCAL: A Cozinha da Vovó – Aclimação -SP / SP (Todos os detalhes serão passados na confirmação da inscrição…) INVESTIMENTO: R$250,00 (transferência bancária) ## não fazemos inscrição no dia. Ok?## DURAÇÃO: 4 horas/aula. ASSUNTOS ABORDADOS NA OFICINA: Utensílios e insumos Receitas básica e todo o processo do zero Variações de Receitas Alimentação e Conservação do Levain NO DIA DA OFICINA: Recomendamos que venha de cabelo preso, com roupas adequadas para por a mão na massa, traga um avental e muita vontade de aprender!!! INSCRIÇÃO: WhatsApp @cristinavaleije (11) 9 9567-6769 Para dúvidas, número da conta para transferência e a ficha de inscrição. Então, estou te esperando!!! Até lá… #terapiadopao #acozinhadavovó #oficinadepães #Oficinadefermentaçãonatural

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Seja feliz, faça pão!

 

Receita do Pão de Cristo feito com fermento de litro

Agora que você já aprendeu a fazer o fermento de litro, é hora de fazer o Pão de Cristo. Uma receita tão antiga quanto o próprio fermento. Simples, saboroso e macio, o pão perfeito para provar com manteiga, requeijão, geleia, nutella e… o que mais sua imaginação permitir.

A receita é bem simples e também aprendi com a Paula Basso Souza, com quem troco muitas figurinhas e dicas no Instagram. Só tenho a agradecer!

A receita abaixo é feita com apenas 500ml do fermento de litro. Para nós aqui de casa é mais que suficiente. Rende 3 pães grandes. Se quiser fazer com 1 litro de fermento, basta dobrar as medidas dos ingredientes (exceto o sal).

Pão de Cristo em tamanho menor <3

Receita do Pão de Cristo com fermento de litro

INGREDIENTES

  • 500ml de fermento refrescado
  • 1 ovo
  • 1/2 xícara de açúcar
  • 1/2 xícara de banha derretida ou óleo
  • 2 colheres de sopa de leite em pó (opcional)
  • 1 colher de chá de sal
  • Aproximadamente 1kg de farinha de trigo branca (você poderá precisar de um pouco mais de farinha até o ponto da massa desgrudar das mãos)

PREPARO DA MASSA

Misture bem os 5 primeiros ingredientes e vá acrescentando a farinha aos poucos, incorporando à massa. Você poderá sovar à mão ou numa batedeira com batedor em forma de gancho, para massas pesadas, por até 20 minutos.

Coloque a massa em uma bacia, cubra com uma toalha e deixe descansar de 8 a 12 horas. Lembre-se que pães de fermentação natural levam mais tempo para serem feitos e é desse tempo que tiramos todos os seus sabores, texturas e benefícios.

A massa do pão, antes e depois do descanso

Após o descanso a massa deverá ter duplicado, quem sabe até triplicado de tamanho. Coisa mais linda! Leve à bancada e divida em quantas partes desejar. Costumo fazer 3 pães grandes, sempre pesando para que tenham medidas iguais. Hoje fiz tamanhos e variados, só pra testar formatos diferentes.

Passe por um cilindro (ou, se não tiver, pode ser aberto com rolo de massa ou, até mesmo, uma garrafa de vidro). Abra bem a massa e enrole ou molde os pães no formato que desejar. Variar e testar novos formatos é sempre um exercício de criatividade. Pra que ser igual sempre, né?

Pão de Cristo trançado e assado em forma de bolo inglês

Depois de montar sua mais nova obra de arte (hihihi), coloque os pães sobre uma assadeira untada com margarina e trigo. Eu prefiro usar o Papel Dover, que tem uma película encerada e não deixa o pão grudar. Cubra com uma toalha e deixe descansar de 3 a 6 horas, a depender do clima, até que dobre de tamanho e você sinta que a assadeira está mais leve (graças à ação dos gases do fermento de litro). Se gostar, você pode pincelar um pouco de ovo batido com água gelada, para deixar a casca mais brilhante e morena.

Asse em forno pré-aquecido a 180º  até dourar. No meu forno elétrico costumo deixar 35 minutos. O tempo pode variar em cada forno. Fique sempre de olho. Você logo começará a sentir aquele cheirinho delicioso do pão sendo assado.

Deixe o pão esfriar e prepare a manteiga, o requeijão, a geleia, o café coado na hora e experimente essa maravilha. Depois de provar, deixe seu comentário e me conte como foi fazer o pão. Se tiver dicas de receitas com o fermento de litro, compartilhe. Quero experimentar pães diferentes com esse fermento tão especial.

Seja feliz, faça pão.

Como fazer o fermento de litro ou fermento de Cristo

Quando comecei a pesquisar mais sobre pães de fermentação natural, além do levain, descobri o “fermento de litro” ou “fermento de Cristo”. Não tinha ideia do que era, como era feito, mas não resisti quando vi a Paula Basso Souza, no Instagram, publicar tantas receitas feitas com esse fermento. Pães doces e salgados de encher os olhos e dar água na boca. Não tive dúvidas: precisava experimentar!

 

Esse fermento, também chamado de fermento líquido ou fermento de garrafa, é feito a partir da mistura de água, farinha, açúcar e sal e tem longa tradição.  Antigamente, quando era feito, costumava-se dividi-lo em três partes: a primeira parte era usada para fazer o pão,  a segunda parte era guardada como “muda” para ser reformada na próxima vez que o fermento fosse usado e a terceira parte era dada de presente a um amigo, renovando o ciclo de prosperidade, compartilhando e multiplicando pães pela vizinhança.

A Paula generosamente compartilhou sua receita comigo. A receita é simples, mas deve ser seguida à risca para não ter erro. Vamos a ela:


Receita do Fermento de Litro

Ingredientes

  • 1 litro de água filtrada
  • 5 colheres de sopa de farinha de trigo branca
  • 5 colheres de sopa de açúcar
  • 1 colher de chá de sal

Modo de preparo

Misture bem todos os ingredientes com um fuê, até obter um líquido homogêneo.

Coloque o líquido dentro de uma garrafa pet bem fechada (eu usei uma garrafa pet de 1,5 litro) e guarde num canto do armário, para descansar de 7 a 10 dias. Escolha um lugar onde não precise mexer a garrafa.

Ao longo dos dias, os ingredientes começam a se depositar no fundo da garrafa. Resista à tentação de mexer e chacoalhar o líquido. Deixe o fermento quieto no canto dele. Assim que toda a mistura de ingrediente depositada no fundo da garrafa começar a subir é hora de fazer a reforma.

Próximo do 10º dia, tente apertar um pouco com as mãos a garrafa pet. Você perceberá que ela está completamente dura, rígida como vidro. São os gases produzidos pela fermentação natural que ocuparam o espaço dentro da garrafa. Como um refrigerante cheio de gás! E por estar tão cheio de gás, não deixe de reformar o fermento até o décimo dia. Senão, corre o risco da garrafa não resistir à pressão e explodir fermento pra tudo quanto é lado. Já pensou!? :-O

Como reformar o Fermento de Litro

Hora de reformar o seu fermento de litro. Cuidado ao abrir a garrafa. Ela está cheia de gás e pressão. Assim como um refrigente, o líquido começara a espumar e tentar escapar da garrafa. Vá abrindo aos poucos, bem devagar, para permitir que o gás saia, sem desperdiçar seu fermento.

Coloque todo o líquido do fermento em uma vasilha grande, de preferência uma vasilha de vidro transparente e incolor. Acrescente as mesmas medidas iniciais de farinha de trigo, açúcar e sal e misture bem. Adicione 1 litro de água morna e mexa bastante, até que o líquido fique bem homogêneo. Tampe a vasilha com filme-plástico e deixe descansar de 4 a 6 horas.

Depois do descanso, quando se forma uma camada espumosa e espessa sobre o fermento, e a parte de baixo estiver cheia de bolhas, seu fermento está pronto para ser usado e fazer seu primeiro “Pão de Cristo” ou “Pão de fermento de litro”.

O cheiro do fermento de litro me fez lembrar o fermento biológico fresco. Aquele cheirinho tão característico que muita gente torce o nariz, mas eu sinceramente adoro.

Mas antes de botar a mão na massa, é hora de dividir o fermento, como manda a tradição: reserve 500ml do fermento líquido para usar na receita de pão e guarde na mesma garrafa pet 1 litro do fermento reformado como muda para a próxma vez. O restante você pode doar para alguém. Se não tiver para quem dar, nem quiser fazer mais pão com essa sobra de fermento, a alternativa é descartar. Acredite: 500ml de fermento é o suficiente para fazer 3 pães grandes, com 1kg de farinha de trigo. É pão pra semana toda!

O litro de fermento que você reservou deve ser guardado na geladeira por até 7 dias. Depois disso, precisa ser reformado/refrescado novamente, mesmo que você não faça o pão. Só assim você manterá eu fermento forte e cheio de gás para dar belas fornadas de pães saborosos e macios. Se não for fazer pão, reforme e descarte a parte que usaria para a receita.

Veja como fazer o Pão de Cristo, com fermento líquido

Obrigado, Paula, por ser tão generosa e compartilhar comigo sua receita. Seus pães são incríveis!

Seja feliz, faça pão!

 

 

 

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